Ao deparar-se com uma suástica em templos, placas e mapas japoneses, muitos podem ficar intrigados. Aos desavisados, isso pode realmente assustar!

Isso porque, ao ver o desenho deste símbolo, muitos o relacionam imediatamente a Adolf Hitler e ao nazismo. Mas, calma. Existem grandes diferenças entre a suástica budista e a suástica nazista (pelo menos, em seus significados). Entenda melhor a seguir.

Qual é a origem da suástica?

Não se sabe exatamente qual foi o povo que usou a suástica pela primeira vez, mas sua origem é bastante antiga, de pelo menos 5 mil anos. Acredita-se que ela é um dos símbolos mais antigos do mundo. O nome “suástica” é derivado da palavra sânscrito (língua ancestral da Índia) “Savstika“, que basicamente significa “bem-estar”.

Embora os primeiros artefatos decorados com o símbolo tenham sido encontrados na Índia, não é possível associar o surgimento da suástica a uma única parte do mundo. De alguma maneira, notou-se que o desenho apareceu, de forma independente, em diferentes locais ao redor do mundo, há milhares de anos. Cada cultura a utilizava em diferentes formas (no sentido horário ou anti-horário) e por vários motivos, mas todos com significados positivos.

suásticas-antigas

As tribos nativas americanas (como o Navajo) usavam-na em rituais de cura. Na história européia, o desenho foi associado a deuses nórdicos como Thor e Odin. Na Ásia, o sinal tinha fortes laços com o hinduísmo e o budismo. E, esses foram apenas alguns exemplos. Quase todas as grandes sociedades através da história usaram este símbolo como os maias, celtas, judeus, cristãos e os antigos gregos e romanos.

O que é a Suástica

A suástica é um símbolo místico que originalmente representa a busca pela felicidade, salvação e boa sorte.

A suástica é formada por uma cruz com as suas extremidades curvadas e posicionada em torno de um centro estático. Em algumas culturas a suástica representa o conceito do movimento cíclico e de regeneração da vida.

Também conhecida como cruz suástica ou cruz gamada, este símbolo está presente na história de diferentes culturas antigas, como dos Astecas, dos Celtas, dos Budistas, dos Gregos, dos Hindus, entre outros.

Existem diferentes estilos de suásticas, dependendo da cultura em que era utilizada, mas, fundamentalmente, todas possuem a mesma estrutura em formato de cruz com as pontas partidas.

Essencialmente, existem dois tipos principais de suásticas: com os braços apontados para a direita e com os braços para a esquerda, representando o “masculino” e o “feminino”, respectivamente.

Não há nehuma explicação definitiva sobre o motivo de tantos povos de locais tão distintos utilizarem o mesmo símbolo.

O que a suástica significa no Japão?

No Japão, a suástica budista é chamada de manji (万字). No país, o sinal continua sendo um dos importantes símbolos religiosos para a representação do Budismo.

Na tradição budista, o manji representa a harmonia universal, equilíbrio dos opostos, eternidade e boa sorte. O manji é composto por vários elementos: um eixo vertical que representa a junção do céu e da terra; um eixo horizontal que representa a conexão do yin e do yang; e os quatro braços que representam o movimento e a força giratória criada pela interação desses elementos.

No Budismo, a suástica orientada para a esquerda (em japonês significa “omote manji“- manjifrontal) representa o amor e a misericórdia. Já, a orientada para a direita (“ura manji“- manjitraseiro) caracteriza a força e a inteligência. Ambos os símbolos podem ser empregados, embora, o sinal virado para a esquerda seja o mais predominante no Japão.

 

Símbolo da suástica em mapas japoneses

Se você olhar para uma cidade no Japão através do Google Maps, você poderá encontrar vários símbolos manji representando a localização dos templos Budistas.

Mas, há alguns meses cogitava-se a substituição do símbolo para um ícone com desenho de um pagode (torre de vários níveis). Essa medida visava, justamente, evitar conotações nazistas, já prevendo o grande fluxo de turistas para as Olimpíadas de 2020.

No entanto, decidiu-se deixar o símbolo inalterado. Essa mudança de decisão deve-se, principalmente, a um movimento que pedia pela manutenção do manji. Ao invés da troca dos ícones, pedia-se a divulgação e o esclarecimento às pessoas sobre as diferenças entre as duas suásticas e o verdadeiro significado do manji.

Realmente, é importante que os turistas saibam sobre a conexão do budismo japonês com o manji. É, também, necessário que as pessoas entendam que o significado original da suástica nunca teve conotações malignas. O que vocês acham?